O trade-off "food vs. fuel" realmente existe no caso brasileiro?
- Marcelo Justus

- 7 de nov. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 13 de dez. de 2025

Marcelo Justus
Instituto de Economia, UNICAMP
O debate internacional sobre a relação entre biocombustíveis e segurança alimentar tem sido marcado por opiniões pouco fundamentadas e pela influência de interesses de grupos internacionais e ativistas. Há anos, o Brasil é acusado de promover insegurança alimentar por investir em combustíveis mais limpos.
Tenta-se sustentar sem evidências científicas que a expansão da produção de biocombustíveis, sobretudo o etanol de cana-de-açúcar e o etanol de milho, estaria comprometendo a segurança alimentar. Essa narrativa, midiaticamente difundida por grupos estrangeiros, carece, porém, de respaldo empírico. Em nosso artigo Revisiting the Hypothesized Trade‐Off Between Food and Fuel: Empirical Evidence From the Case of Brazilian Sugarcane, investigamos ineditamente a relação entre a produção de etanol de cana-de-açúcar e a segurança alimentar no Brasil.
Utilizamos duas abordagens econométricas complementares (modelos de painel em nível municipal e modelos baseados em microdados domiciliares) para examinar o tema de forma estritamente empírica, livre de vieses ideológicos, políticos ou econômicos.
Nossos resultados não corroboram a hipótese de que exista uma escolha conflitante entre a produção de biocombustíveis e a segurança alimentar. Não há evidência de food vs. fuel, mas sim de food and fuel.
As evidências mostram que é possível compatibilizar uma produção eficiente e em larga escala de biocombustíveis com a segurança alimentar da população, em sintonia com os objetivos de sustentabilidade.
O estudo contribui de forma relevante para o debate internacional, ao oferecer evidências robustas e metodologicamente consistentes sobre um tema frequentemente tratado de maneira superficial e ideológica.
In God we trust; all others must bring data
W. EDWARDS DEMING
